terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Bairro da Lapa


Rua de Buenos Aires



Entre as velhas estradas  que comunicavam a zona ribeirinha ocidental com o interior norte,onde,a partir do século XVI,começaram a surgir vários conventos (Convento da Estrelinha,Convento de São Bento da Saúde ,Convento das Francesinhas,Convento das Brigídas ou Inglesinhas,etc) e que são as antepassadas das actuais ruas de São Domingos e da Lapa, da Santissima Trindade(actual Garcia de Orta), e Calçada das Inglesinhas (actual Calçada da Estrela), novos arruamentos vão delinear-se , uns dispondo-se paralelamente à Rua Direita da Lapa(Rua de Buenos Aires,Rua das Praças,Rua do Sacramento,Rua do Prior, etc.), cortados por outros,orientados no sentido ortogonal (Rua do Meio, Rua de São Félix, Rua dos Remédios , Rua de São João da Mata, etc.), à medida que se foi intensificando o povoamento da zona, o que se verificou, principalmente, depois do terramoto de 1755.
A população que ,anteriormente , bordejavam , ao longo das estradas, quase toda entregue à faina marítima , concentrou-se, especialmente, a sul , vizinhando a Pampulha e Santos ,e ,a leste ,penetrando o Mocambo e a Madragoa ,desenhando-se uma Lapa aristocrática, em oposição a uma Lapa popular que ,nalgumas zonas, foram conviventes.
As circunstâncias que informaram o nascimento e desenvolvimento deste bairro marcaram-no com um facies próprio,  meio urbano, meio rural, que, com uma ou outra excepção pontual, se tem mantido inalterável, o que o tornou alvo de algumas disposições legais, destinadas à conservação da sua identidade como zona residencial por excelência. Benefeciando dum ambiente calmo, nele predominam as moradias individuais , que remontam aos finais do século XVIII ,ou inícios do século XIX, emergindo de entre tufos de verdura. É este, na realidade, o tipo mais frequente de moradias apalaçadas das ruas do Sacramento, São Caetano, Pau de Bandeira, Rua do Prior e Rua de São Domingos, esta aristocratizada a partir de finais do século XVIII, apesar da sua origem popular. Noutras como a Rua das Praças, Rua do Meio, Rua da Lapa, Rua de Buenos Aires, alternam-se as moradias individuais com piturescos grupos de prédios de dois ou três andares, forrados de azulejos,com trapeira recortada ou platibanda de albarradas de loiça, que enriquecem , de colorido e vivacidade , o repousado bairro burguês. Noutros ainda, o pitoresco sobreleva-se ao arquitectónico, e destes são exemplos alguns conjuntos da Rua dos Remédios e Rua de São Félix, outrora também existentes nas ruas de Santana e São Ciro, hoje completamente descaracterizadas pelo avanço indiscriminado da construção moderna.

TEXTO RETIRADO DO LIVRO "MONUMENTOS E EDIFÍCIOS NOTÁVEIS DO DISTRITO DE LISBOA -TERCEIRO TOMO"





Antiga Embaixada Britânica





Ermida dos Navegantes

Templo de modestas dimensões,com sua fachada remantada por frotão triangular, situa-se esta pequena ermida na Rua dos Navegantes, mesmo em frente á Rua da Bela Vista, à Lapa.De grande simplicidade, apresenta também a porta e o janelão que ilumina a nave, na mesma prumada, interligados pela moldura. Sobre a fachada, de um e outro lado da porta, desenham-se duas cruzes de azulejo que referenciam estações de antiga procissão.
O maior interesse deste gracioso templo concentra-se nos azulejos que decoram a nave, do século XVIII, nos quais foram representados alguns aspectos de Lisboa, incluindo um aspecto da rua onde se encontra implantada a ermida, e uma aspecto do Convento da Esperança, ainda com o Cruzeiro dentro dum alpendre envidraçado.
Na capela-mor, há dois paineis magnificos que representam, o da esquerda, Jesus Cristo ou o Senhor dos Navegantes valendo aos marinheiros duma barca em transe de naufragar,e o da direita, As bodas de Canaã.
Pelo terremoto de 1755,os irmãos de Confraria da Caridade, que existira no Convento da Esperança,foram buscar as duas imagens, suas patronas, e levaram-nas para uns campos situados ao norte do mosteiro, onde depois edificaram, para elas, um templo privativo. Foi este templo construído em 1757 e logo se tornou ponto de atracção da população marítima, que animou com suas danças e cantares, uma importante procissão que dela saía. Foi restaurado em 1898. 

TEXTO RETIRADO DO LIVRO "MONUMENTOS E EDIFÍCIOS NOTÁVEIS DO DISTRITO DE LISBOA -TERCEIRO TOMO"




Palácio de Porto Covo de Bandeira


Palácio situado na Rua de São Domingos,esquina da Rua do Prior , construído no século XVIII, entre 1770 e 1790, para Jacinto Fernandes Bandeira, escrivão do Desembargo do Paço e Conselheiro Real, 1º barão de Porto Covo. Manteve-se na família até 1937, data em que o palácio e todo o seu recheio foram leiloados. O edifício principal e os jardins foram adquiridos pelo Estado Britânico, que entre 1941 e 1995 aí instalou a sua embaixada, o recheio artístico foi comprado por particulares e museus públicos e a capela foi entregue ao Patriarcado. Traduzindo uma arquitectura civil residencial pombalina, este palácio surge organizado em U, integrando capela como entidade semi-autónoma e tratamento diferenciado ao nível do alçado. A fachada principal do palácio, voltada a Este, apresenta-se ritmada por pilastras lisas de cantaria e estruturada em dois pisos, destacando-se o remate da zona central por frontão triangular onde se insere uma pedra de armas britânica, que veio substituir a primitiva dos Porto Covo da Bandeira. No interior, merecem destaque os lambris de azulejos, a pintura ornamental e os estuques de algumas salas do andar nobre.



                                                                Palácio do Machadinho



Com origens que remontam ao século XVII e reconstruído na segunda metade do século seguinte, este palácio sofreu transformações importantes em 1860 que destruíram a igreja e grande parte do interior. Adquirido pelo município, em 1948 é alvo de um grande restauro que recriou o esplendor perdido graças à reutilização de azulejos provenientes de outros edifícios da cidade. Destaca-se o salão com tectos estucados por João Grossi. O jardim foi redesenhado pelo arq. Ribeiro Telles.











2 comentários:

  1. Não se trata da antiga Embaixada Britânica, mas sim da antiga residência do Embaixador. Quando nasci, os meus Pais moravam em frente, na Rua de S. Francisco de Borja, e lembro-me perfeitamente de ver o Sr. Embaixador a falar com os meus Pais.
    Rosa Machado

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    1. A informação que tenho, é que foi Embaixada até 1895, sendo depois a residência do Embaixador em Lisboa.
      Obrigado pelo seu comentário.

      Cumprimentos

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